Política

POLITICOS REUNEM-SE EM DEFESA DA UNIDADE PARA CUMPRIMENTO DA PAZ

- 28 de maio de 2025, publicado porAlbertina Gouveia
POLITICOS REUNEM-SE EM DEFESA DA UNIDADE PARA CUMPRIMENTO DA PAZ

Os representantes partidários falavam durante o colóquio sobre os Acordos de Bicesse como o início de uma nova era em tempo de mudanças geopolíticas globais.

O evento, organizado pela associação “Oficina do Conhecimento”, contou com os deputados Eugénio Manuvakola, Mário Pinto de Andrade, reverendo Tony-a-Nzinga, o general reformado Peregrino Wambu e o professor Daniel Mingas como oradores.

Na ocasião, os responsáveis sublinharam que os Acordos de Bicesse, assinados a 31 de Maio de 1991, em Portugal, trouxeram esperança para os angolanos, porém, a falta de unidade e desconfiança entre os membros dos partidos políticos envolvidos impediu o cumprimento dos mesmos.

O deputado do Grupo Parlamentar do MPLA Mário Pinto de Andrade apontou a distinção étnica dos três líderes dos maiores movimentos independentistas como, talvez, o primeiro motivo da falta de unidade e entendimento entre eles.

“Grande parte das lideranças, MPLA, FNLA e a UNITA, não se confiava. Sempre houve desconfiança, nunca houve unidade. Por isso é que todos combateram uns contra os outros”, disse.

Por este motivo, prosseguiu, nunca houve um projecto de Independência de Angola ou de governação após a saída dos portugueses. “Eles foram obrigados a ir negociar um projecto de independência no Quénia, (Acordos de Alvor) quando todos desconfiavam uns dos outros”, disse.

Acrescentou que “o Acordo de Alvor dizia que era preciso criar um exército unificado, com as tropas dos movimentos de libertação, e, naquela época, eles não tinham tropas, foram buscar no exército de união e formar os seus próprios exércitos de guerra para se combaterem uns aos outros, ao invés de criarem um exército nacional”. Por outro lado, o Acordo de Bicesse definiu uma governação de transição de três anos ao MPLA e 18 meses antes das eleições, e quem vencesse maioritariamente, governaria o país.

No entanto, o cumprimento do Acordo falhou. O reinício da guerra após as eleições de 29 e 30 de Setembro de 1992 foi justificado pelos políticos pela falta de unidade entre os líderes.

“Bicesse era a esperança para termos paz e para nos desenvolvermos, mas falhou e só conseguimos a paz de todos os militares”, afirmou Mário Pinto de Andrade.

Bicesse trouxe esperança aos angolanos

“Quando se iniciou a negociação de Bicesse, surgiu uma perspectiva de paz, sabíamos que a felicidade também tinha chegado. Bicesse foi, talvez, dos acordos que mais trouxe esperança para os angolanos”, disse Eugénio Manuvakola.

Para o deputado do Grupo Parlamentar da UNITA, os Acordos de Bicesse centraram-se, maioritariamente, em soluções militarizadas e pouco políticas.“O conflito angolano foi político, e não nos entendemos politicamente. Os Acordos de Bicesse encontraram uma solução muito militarizada e pouco política”.

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